Que idioma você fala?


Maria acordou 30 minutos mais cedo, apressou o filho para o café, desmarcou uma reunião, não foi à academia e não tomou café em casa como de costume. Pediu para o marido levar o filho na escola, e foi encontrar com Ana, sua amiga de faculdade que não via já faz alguns meses.

Maria chegou, pediu um café, abriu os e-mails e começou a trabalhar, 15 minutos se passaram e Ana não chegou...Maria trabalha um pouco mais e Ana...várias coisas passam por sua cabeça, que a amiga se atrapalhou com o horário, que aconteceu algo no caminho, ou que a amiga não a considera tanto. Depois de 30 minutos, ela resolve ligar e descobre que a amiga não vem. Ela sorri, sem graça, com um misto de emoções: raiva, stress e até pensa em não vir na próxima semana, e passará mais um bom tempo sem alimentar uma amizade, sem o afeto necessário para agraciar a vida.

E de quem é a responsabilidade? Inicialmente as pessoas dizem que é do outro. É sempre do outro, o outro não entendeu, o outro não prestou atenção, o outro é assim mesmo, não liga pra ninguém. Mas, nem sempre é assim, geralmente a responsabilidade é do dois, mas é preciso maturidade e bom humor para olhar para situação e assumir que você também é tudo o que o outro é.

O fato é que enquanto se perde tempo procurando responsáveis, a vida passa, e as relações se desnutrem de afeto, tão importante para a saúde das relações. Assuma que você precisa aprimorar as formas de se comunicar cotidianamente. Sim, você precisa adequar o seu discurso para diferentes situações e pessoas que aparecem na sua vida. Qual o segredo? Afeto, muito carinho, e muito amor quando for falar com alguém. Aumente a dose, quando esse alguém for alguém próximo. E se no momento isso não for possível, simplesmente mantenha-se em silêncio.

E quanto a Maria, na semana seguinte ela repetiu toda correria, mas ligou um dia antes para confirmar com a amiga.

Cuide-se.



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Sônia Portes Psicóloga e escritora da Coleção - O Mundo de Tina